terça-feira, 29 de maio de 2012

Torre Velha da Caparica é Monumento Nacional!




Projecto das novas obras da Torre Velha em 1795 de Francisco de Alincourt (1)

Como já é do conhecimento geral a Torre Velha de S. Sebastião, no Porto Brandão, freguesia da Caparica, foi classificada como Monumento Nacional, tendo sido publicado hoje dia 29 de Maio de 2012 o Decreto n.º 11/2012 da Presidência do Conselho de Ministros que confere esta classificação (que publicamos em anexo).

Trata-se do primeiro e único Monumento Nacional do Concelho de Almada e um dos poucos da Margem Sul, mais próximo só a Olaria Romana da Quinta do Rouxinol. (2)

Está na hora de despertar as consciências e transformar a Torre Velha naquilo que ela merece ser - um ex-libris do Concelho de Almada e da Península de Setúbal.

Merece neste momento uma palavra de agradecimento quatro investigadores que em muito contribuíram para o conhecimento da Torre Velha:
- D. José Manuel de Noronha e Menezes de Alarcão (Conde dos Arcos), autor de «As Fortalezas de Almada», in Boletim da Junta de Província da Estremadura, S. II, N. VII, 1944.
- Raul Henrique Pereira de Sousa, autor de Fortalezas de Almada e seu Termo, edição do Arquivo Histórico da C.M. de Almada, 1981; e Pequena história da Torre Velha, 1997.
- António Neves Policarpo, autor de A Torre Velha da Caparica - Resumo histórico (1490-1996), edição da Junta de Freguesia de Caparica, 1996.
- Pedro de Aboim Inglez Cid, autor de A Torre de São Sebastião da Caparica e a Arquitectura Militar no Tempo de D. João II, edição do Instituto de História de Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL e Edições Colibri, 2007.



Rui M. Mendes
Caparica, 29 de Maio de 2012

(1) Vista das obras novas da Torre Velha, para deffeza da entrada do rio / que por ordem do Ill.mo e Ex.mo Sñr. duque de Lafoens, marechal general, junto à Real Pessoa, projeitto ò coronel Fran.co d'Alincourt è foe aprezentado no Quartel General, com seu tenente general, inspector Sñr. Guilherme Luis Antonio de Vallere, para à enteira aprobaçaõ [Escala indeterminada] [ca. 1795]
(in IGEOE, Exposição Portugal nas Vésperas das Invasões Francesas)

(2) Lista dos Monumentos Nacionais da Península de Setúbal e data do respetivo Decreto:
16 de Junho de 1910
Castelo de Palmela
Castelo de Sesimbra
Cruz das Vendas, em Azeitão, Setúbal
Cruzeiro de Setúbal
Igreja de Santiago de Palmela
Igreja de S. João Baptista de Alcochete
Igreja de S. Julião de Setúbal
Mosteiro de Jesus de Setúbal
Palácio da Quinta da Bacalhoa, na Vila Fresca de Azeitão, Setúbal
Pelourinho de Palmela
Pelourinho de Setúbal
Portal da Gafaria de Setúbal

10 de Julho de 1922
Igreja de N.ª Sr.ª da Graça de Palhais, no Barreiro

30 de Agosto de 1933
Castelo de S. Filipe, em Setúbal

5 de Abril de 1934
Grutas da Quinta do Anjo, Palmela

1 de Junho de 1992
Olaria Romana da Quinta do Rouxinol, em Corroios, Seixal

6 de Março de 1996
Quinta da Bacalhoa, na Vila Fresca de Azeitão, Setúbal

29 de Maio de 2012
Fortaleza da Torre Velha da Caparica, Almada

ANEXO:
Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 29 de maio de 2012
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Decreto n.º 11/2012 de 29 de maio
O presente decreto procede à classificação como monumento nacional da Fortaleza da Torre Velha, também designada por Torre de São Sebastião da Caparica, sita no lugar de Porto Brandão, freguesia da Caparica, concelho de Almada, distrito de Setúbal (doravante abreviadamente designada por Fortaleza da Torre Velha ou por Fortaleza).
A Fortaleza da Torre Velha, situada na margem sul do rio Tejo, foi mandada construir por D. João II, no lugar do antigo Forte da Caparica, construído no reinado de D. João I. A sua estrutura original, segundo gravuras de Garcia de Resende, era composta por uma torre e um baluarte, no mesmo modelo desenvolvido alguns anos depois na Roqueta de Viana do Castelo e na Torre de Belém.
A fortificação inicial situou -se diretamente sobre as falésias junto à baía da Paulina, com um baluarte junto à água. O baluarte quatrocentista foi fundado num banco de rochedos ao longo da margem, sobre o qual assenta o atual cais de apoio aos barcos.
Em 1571 D. Sebastião mandou reformar a torre, ficando responsável pela obra Afonso Álvares, cujo projeto a transformou numa fortaleza de maiores dimensões. Nessa época passou a ser designada por Fortaleza de São Sebastião da Caparica. Entre 1580 e 1640 ficava conhecida como Torre dos Castelhanos, sofrendo alterações estruturais durante a dinastia Filipina.
A Fortaleza que chegou aos dias de hoje mantém as partes fundamentais existentes em meados do século XVII, como comprova uma planta desenhada em 1692. A planta da fortificação desenvolve -se em U, composta por três corpos e três baluartes com casernas, sendo que uma das extremidades do forte é prolongada por um baluarte e pela torre de vigia. Junto à porta de armas foi edificada a capela, dedicada a São Sebastião. O corpo central da Fortaleza da Torre Velha é de planta quadrangular, rebaixada, à qual foi adossada a casa do governador. A antiga porta da praça, junto à torre, ostenta escudo com as armas de Portugal.
No final do século XVIII a Fortaleza voltou a receber obras, possivelmente de consolidação, dirigidas pelo coronel Francisco d’Alincourt. Em 1801 as fortalezas da margem sul do Tejo foram desativadas e, alguns anos depois, a mesma foi transformada em lazareto, destinado a abrigar passageiros e tripulantes que necessitassem ficar em quarentena. No ano de 1832 a Fortaleza voltava a ser remodelada e reativada, servindo no final do século XIX apenas como depósito e alojamento.
Os trabalhos realizados à face da escarpa para permitir uma rápida ligação «torre -baluarte» são um dos fatores que ainda hoje constituem a maior originalidade da Fortaleza da Torre Velha. Este sofisticado sistema de comunicações internas mantém-se insitu, quase como há cinco séculos.
De acordo com os critérios e os pressupostos de classificação previstos na Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural, os bens imóveis que o Governo classifica como monumentos nacionais revestem -se de excecional interesse nacional, pelo que se torna imperativo que se lhes proporcione especial proteção e valorização, nos termos previstos na lei.
A proteção e salvaguarda da Fortaleza, através da classificação, favorecem o seu usufruto pela população, porquanto possui um elevado potencial do ponto de vista monumental e patrimonial, determinando que a área onde se localiza venha a tornar -se, cada vez mais, uma zona de valorização patrimonial.
O valor histórico, patrimonial e cultural do bem que ora se pretende ver classificado articula -se segundo critérios como a autenticidade, a originalidade, a raridade, a singularidade e a exemplaridade, que se revelam significativamente na relevância matricial, arquitetónica, histórica, simbólica que este adquiriu como lugar da memória histórica e patrimonial de Portugal.
Testemunho da vivência do sítio ao longo dos tempos acolhe, também, a dimensão imaterial e memorial associada às implicações simbólicas e políticas da defesa da cidade de Lisboa, formando em conjunto com o baluarte de Cascais e a Torre de Belém, o primeiro sistema integrado de artilharia de defesa da barra do Tejo, estando portanto ligado à génese da «expansão marítima» portuguesa.
A Fortaleza da Torre Velha é um dos mais importantes exemplares de arquitetura militar renascentista portuguesa, tendo em conta a modernidade dos dispositivos que possui, bem como a originalidade da sua implantação.
A Fortaleza da Torre Velha reflete os seguintes critérios constantes do artigo 17.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro: génio do respetivo criador, interesse do bem como testemunho notável de vivências ou factos históricos, valor estético e conceção arquitetónica.
A zona especial de proteção do bem imóvel que ora se pretende ver classificada será fixada por portaria, nos termos do disposto no artigo 43.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro.
Foram cumpridos os procedimentos de audição dos interessados, previstos no artigo 27.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, de acordo com o disposto nos artigos 100.º e seguintes do Código do Procedimento Administrativo.
Assim:
Ao abrigo do disposto no n.º 1 do artigo 28.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, e nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:
Artigo único
Classificação
É classificada como monumento nacional a Fortaleza da Torre Velha, também designada por Torre de São Sebastião da Caparica, sita no lugar de Porto Brandão, freguesia de Caparica, concelho de Almada, distrito de Setúbal, conforme planta constante do anexo ao presente decreto e que dele faz parte integrante.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 26 de abril de 2012. — Pedro Passos Coelho.
Assinado em 15 de maio de 2012.
Publique -se.
O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA.
Referendado em 17 de maio de 2012.
O Primeiro -Ministro, Pedro Passos Coelho.

Exposição Fotográfica Ruin’Arte na Galeria de Arte do Casino de Lisboa





Estive hoje na apresentação de uma Exposição Fotográfica do Projecto Ruin’Arte do Gastão Brito onde pude apreciar mais uma vez a qualidade do trabalho deste grande fotógrafo onde se incluem algumas fotos dos territórios de Almada e Seixal onde, infelizmente, existem muitos pontos de reportagem, entre elas a Ermida de N.ª Sr.ª da Conceição da Trafaria, os Moinhos de maré do Breyner e o dos Paulistas e as Fábricas da Mundet, de Moagem do Caramujo e de Lanifícios de Arrentela.

A não perder até 18 de Junho de 2012.









domingo, 13 de maio de 2012

Cartaz do PSD Seixal sobre a Reforma Administrativa


    Peço desculpa mas o novo Cartaz do PSD Seixal sobre a Reforma Administrativa é uma ofensa à inteligência das populações!

    Assim como é uma ofensa que, quem esteja numa autarquia para defender os interesses dessas mesmas populações, se conforme com decisões políticas que sabe que são extremamente injustas e sem qualquer base política, social ou económica, e que nada faça contra as mesmas apenas porque são de um governo do mesmo partido!
    Acham justo e correcto querer acabar-se com uma freguesia como a Arrentela (sim porque a actual reforma tudo indica assim o levará efeito pois a sede de concelho tem de ter uma freguesia e a Amora e Corroios sendo as maiores do concelho nunca seriam extintas), sendo que:
   A Arrentela é a mais antiga freguesia do concelho, mais antiga que as freguesias do Seixal, de Aldeia de Paio Pires e de Fernão Ferro!
     A Arrentela é a 3.ª maior freguesia do concelho do Seixal com mais de 25.000 habitantes!
Isto não é política, isto é gozar com as pessoas e todos os cidadãos sejam ou não do mesmo partido do governo tem a obrigação moral de denunciar esta reforma feita a talhe de foice ….
Sabemos que a memória das pessoas por vezes prega-nos partidas mas para que certos factos não sejam esquecidos, publico aqui uns quantos factos:

Projectos Lei do PSD sobre a reforma administrativa do Concelho do Seixal:
Entrada
Título
Autores
Notas
1997-05-14
480/VII
Criação do município de Amora e das freguesias de Cruz de Pau, Foros de Amora, Miratejo, Nossa Senhora de Monte Sião e Vale de Milhaços e a alteração dos limites da freguesia de Corroios
Lucília Ferra (PSD)
Obs: Esta Iniciativa caducou em 1999-10-24
1998-02-18
360/VII
Reorganização administrativa do território do concelho do Seixal com a criação das freguesias de Cruz de Pau, Miratejo e Torre da Marinha e com a alteração dos limites das freguesias da aldeia de Paio Pires, Amora, Arrentela, Corroios e Seixal.
Luís Marques Guedes (PSD) , Manuel Moreira (PSD) , Artur Torres Pereira (PSD)
Obs: Esta Iniciativa caducou em 1999-10-24
2000-03-18
134/VIII
Reorganização administrativa do território do concelho do Seixal com a criação das freguesias de Cruz de Pau, Foros de Amora, Miratejo, Torre da Marinha, Vale de Milhaços e redefinição das cidades de Amora e Seixal.
António Capucho (PSD) , Lucília Ferra (PSD)
Obs: Esta Iniciativa caducou em 2002-04-04

    Afinal o mesmo PSD que achava ainda há 10 anos atrás que um Concelho do Seixal com 11 freguesias (+5 freguesias que as actuais) era um concelho com uma divisão administrativa equilibrada, entende agora que o correcto são três freguesias (cada uma com uma média de 50~60.000 habitantes). O que terá mudado entretanto? O concelho cresceu ... e a resposta do PSD é menos serviços .... tá certo!

    Felizmente ainda há políticos com a espinha direita, p. ex.º António Capucho, que em 2000 assinou um dos projectos acima referidos, e que até pouco era presidente da Câmara Municipal de Cascais, entregou o cartão do partido por discordar com este mesmo tipo de medidas no Concelho de Cascais.

   Não  venham dizer que este tipo de medidas é necessário por causa da situação económica do país, pois nem o orçamento de todas as freguesias do país representa um valor significativo, nem o próprio governo o afirma, se afinal não é para poupar, porquê uma reforma feita tão em cima do joelho?

Rui M. Mendes
Arrentela, 13 de Maio de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Revista Anais de Almada n.º 13-14 (2010-2011)



Foi lançado no passado dia 15 de Março, no Arquivo Histórico Municipal de Almada (Casa Pargana), mais um número da revista cultural “Anais de Almada”, desta vez o número duplo 13-14 (2010-2011).
Neste novo número podemos, ao longo das suas mais de 300 páginas, ler nove interessantes artigos da responsabilidade de historiadores, investigadores, jornalistas, professores e ensaístas, em temáticas tão diferentes como a história da assistência social, do notariado, do movimento cooperativo e da classe operária em Almada, ou ainda estudos sociais ligados a projectos de urbanismo e da promoção da leitura locais, bem como novas perspectivas sobre duas figuras ligadas à cultura almadense, neste caso o pintor-poeta Victor Ferreira e o escritor Romeu Correia.
Esta revista, cujo primeiro n.º viu a luz do dia em Junho de 1998, conta com quase quinze anos de publicação ao longo dos quais têm sido apresentados nas suas páginas artigos de estudiosos que se têm dedicado à cultura, história e sociedade almadenses, artigos esses, na sua maioria inéditos, e que têm vindo a constituir um importante acervo bibliográfico, não só para a comunidade local, como também para trabalhos académicos de âmbito regional e nacional.
Almada, 19 de Março de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Os Livros de Graças de Roma do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça


(Bula ou Selo Papal)

Uma importante fonte de informação de acesso rápido são os «Livros de Graças de Roma» do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça (Torre do Tombo), onde se registavam todas as Bulas e Breves que do Reino de Portugal se impetravam da Santa Sé (através da Nunciatura Apostólica em Lisboa) e respetivo Beneplácito Régio, necessário para que estas graças apostólicas tivessem efeito em Portugal.

Existem na Torre do Tombo Livros de Graças de Roma do século XVIII e XIX.

O Beneplácito régio foi inicialmente estabelecido por D. Pedro nas Cortes de Elvas, em 1361, pelo qual o rei decretava que nenhum documento da Cúria Romana tivesse qualquer validade sem a aprovação do rei, e depois abolido por D. João II em 1487 a pedido de Inocêncio VIII. A Coroa continuou a exercer o controlo sobre certos atos e documentos eclesiásticos, e o beneplácito régio voltou mesmo a ser instituído pouco tempo depois e a alargar-se. A imposição deste direito do Estado só terminou no período da República.

As graças apostólicas mais comuns estavam relacionadas com dispensas de consanguinidade e outros impedimentos em casamentos, concessão de benefícios eclesiásticos, licenças para religiosos saírem dos conventos, etc.

Para a história e património religioso é muito importante os registos relacionados com a concessão de Breves de Oratórios, Indulgências ad tempus e perpétuas e de altares privilegiados, para ter Sacrário fora da Igreja Matriz, e de redução e composição sobre encargos pios.

Muitos destes elementos permitem compreender melhor certos aspectos relacionados com a história e património local, mas também permitem conhecer aspectos das História de Portugal.

Apresento em anexo 4 apontamentos extraídos de 2 Livros de Graças de Roma do início do século XIX que reflectem aspectos importantes da história de Portugal.

No 1.º apontamento, de 1805, regista-se a licença da Santa Sé para que os legados Pios do Bispado do Funchal pudessem ser empregues na reedificação das «Igrejas na Ilha da Madeira que ficarão arruinadas pela inundação». Trata-se da inundação de 9 de Outubro de 1803 o maior da história do Arquipélago que segundo os cronistas desta época causou perto de 600 mortes em toda a Ilha da Madeira, apontando-se como principal causa a falta de encanamento das ribeiras, o qual foi depois encarregue o brigadeiro Reinaldo Oudinot. A ruína provocada em diversas Igrejas madeirenses tornava certamente difícil acudir a todas as obras e a escassez de meios obrigava a soluções de recurso, como a de utilizar os rendimentos dos legados pios para, em vez de missas, se utilizar os proveitos na reedificação das igrejas. 
Foi aliás um expediente que já fora utilizado noutras ocasiões em Portugal, como por exemplo na reedificação das Igrejas de Lisboa após o Grande Terramoto de 1 de Novembro de 1755, e que voltaria a ser usado como adiante se verá.

No 2.º apontamento, de 1808, registamos que o Beneplácito régio é feito em nome do Invasor Francês, nomeado como o «Imperador dos Francezes, Rey de Itália, Protector da Confederação do Rheno e o General em Chefe do Exército de Portugal», curiosamente no Livro todas as menções do Imperador dos Franceses (Napoleão Bonaparte) são posteriormente riscadas.


O 3.º registo de 1811 retoma a problemática do impacto dos desastres no património, anteriormente vimos na Madeira um desastre de causas naturais, e em 1811 tenta-se acudir às consequências de um desastre de causas humanas, as Invasões Francesas, assim o Rei solicita a Roma que «várias Rendas Eclesiásticas» possam ser aplicadas para a «Reedificação das Igrejas e paramentos arruinados pela invazão dos Inimigos» finda nas Linhas de Torres no fim de 1810.

Finalmente o 4.º registo de 1814 regista a presença da Corte no Brasil, onde como se sabe esteve desde 1808 a 1820.

Rui Manuel Mesquita Mendes
Caparica, 6 de Março de 2012


ANEXO:
(19-X-1805) – TT-MNEJ, Graças de Roma, L. 18, f. 230v
«Bispo do Funchal – B. ao Indulto para por tempo de 10 anos serem aplicados todos os legados Pios para a reedificação das Igrejas na Ilha da Madeira que ficarão arruinadas pela inundação».

(29-IV-1808) – TT-MNEJ, Graças de Roma, L. 19, f. 103
«Em petição da Collegiada da parrochial Igreja de S, Sebastião da Villa de Setúbal deste Patriarchado, em que se pede a Confirmação da Redução de encargos de hua Capella de Missas, com que se acha onerada.
Em Nome do Imperador dos Francezes, Rey de Itália, Protector da Confederação do Rheno e o General em Chefe do Exército de Portugal. Há por bem conceder a Licença para que possa ter a sua devida Execução o Breve incluzo de confirmação de redução de encargos, expedido a favor da Collegiada de que se trata. Secretária de Estado dos Negócios do Interior em 29 de Abril de 1808. Francisco António Herman».

(28-XII-1811) – TT-MNEJ, Graças de Roma, L. 19, f. 177
«Beneplácito a huma Breve impetrado à Real instância, para aplicar várias Rendas Eclesiásticas para a Reedificação das Igrejas e paramentos arruinados pela invazão dos Inimigos».

(15-IV-1814) – TT-MNEJ, Graças de Roma, L. 19, f. 239v
«Em Petição de Pedro António Vergollino Arcipreste da Cathedral do Porto, em que pede Licença, para impetrar Bullas da futura sucessão do Priorado da Collegiada de Cedofeita da Cidade do Porto. O P. R. Meu Senhor, Há por bem conceder Licença, para o que p suplicante possa impetrar as Bullas da futura sucessão do Priorado da Collegiada de Cedofeita da Cidade do Porto. Palácio do Rio de Janeiro em 15 de Abril de 1814. Marquez de Aguiar».

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Novos Blogues

Tenho vindo a publicar neste blogue alguns posts sobre matérias diversas, mas que no essencial se contêm em três grandes temáticas:

- A Arquitectura Religiosa Moderna e Contemporânea em Portugal; 
- O Património Religioso da Região de Lisboa;
- A História e Património dos Concelhos de Almada e Seixal. 

Tendo iniciado uma actividade de publicação mais desenvolvida destas temáticas nos últimos meses, verifiquei que a utilização de um único espaço para publicação sobre as três temáticas, fazendo sentido para mim, talvez não faça tanto sentido visto de fora.

Assim optei por criar novos blogues mantendo uma mesma linha de publicação mas dividindo os posts por diferentes espaços conforme as temáticas ....


«História de Almada»
«Lugares de Almada»
«Lugares da Caparica»
«Lugares do Concelho do Seixal)
Quatro blogues uma raíz comum, a História e Património desta Banda do Tejo, aqui publicarei posts sobre diversos aspectos da História e do Património dos diversos lugares dos concelhos de Almada e Seixal.
A opção pela divisão em quatro blogues visa dar-lhes mais coerência e unidade, assim além de um blogue dedicado mais à investigação de fontes históricas sobre Almada, tenho mais três sobre a história e património dos lugares por um lado de Almada, a grande cidade da margem Sul, onde o património está mais ligada ao desenvolvimento urbano e actividade industrial, por outro lado da Caparica onde, apesar do seu actual desenvolvimento urbano, ainda se podem encontrar muitos vestígios da sua vida rural, por fim do Concelho do Seixal, com a suas três grandes vilas/cidades: Seixal, Amora e Corroios, que estiveram ligadas a Almada até 1836, e que constituem em larga medida uma síntese do que é e foi o povoamento da Banda de Além Tejo, como antigamente se chamava esta região a sul de Lisboa.

«Património Religioso da Região de Lisboa»
Será dedicado à publicação de posts sobre a história do património religioso da Região de Lisboa, onde irei publicar alguns artigos baseados nas investigações que tenho feito em fundos arquivísticos pouco conhecidos como o Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa, e os fundos da Câmara Eclesiástica de Lisboa, na Torre do Tombo, e dos Cartórios Notariais e do Distribuidor, no Arquivo Distrital de Lisboa.

«História e Arte no Período Barroco»
Será dedicado à publicação de apontamentos sobre a história e arte em Portugal no Período Barroco, sobretudo arte religiosa, mas não só, a partir de bibliografia e apontamentos recolhidos em arquivos e fundos eclesiásticos e notariais.
Considerou-se o Período Barroco o período entre o início da Dinastia Filipina (1581) e a Extinção das Ordens Religiosas (1834), sendo que os últimos 60 anos deste período são marcados já pela consolidação do estilo neoclássico, embora mantenha ainda resquícios barrocos nomeadamente ao nível da talha.

«Arquitectura Religiosa Moderna»
Será dedicado à publicação de posts sobre a arquitectura e arte religiosa em Portugal dos últimos 150 anos, trata-se no essencial de um blogue que visa promover o valor histórico e artístico de uma faceta do nosso património que, a meu ver, tem sido menos valorizada, abrangendo um período onde floresceram em Portugal diversos estilos artísticos e arquitectónicos como o revivalismo romântico (neogótico, neomanuelino, neobarroco, neoárabe e outros), o eclectismo, a arte nova, a arte revivalista do período do estado-novo dita «Portugês suave», o movimento modernista da renovação da arte religiosa e período actual de arte dita pós-moderna ou contemporânea.

Manterei o blogue «História e Património» como a espinha dorsal dos meus posts e onde publicarei alguns artigos sobre assuntos de carácter geral, passando a publicar e transcrever para novos blogues os posts específicos sobre as matérias acima descritas.
Publicarei também mensalmente um post com o índice e sumário dos artigos que for publicando nos 5 novos blogues, mantendo desta forma a sua ligação a este blogue e aos seus possíveis utilizadores. 

Espero que cada blogue sirva para divulgar aspectos da História e Património do nosso país dentro das temáticas específicas referidas e que pela sua natureza podem apelar públicos diferentes.

RUI M. MENDES
23 de Junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

Um Certo Olhar (1): Na Atalaia … da Trafaria

Introdução
Nas visitas e passeios que faço pelo nosso património, e já são muitos ao longo destes anos, tenho tido oportunidade de fotografar nas nossas paisagens e monumentos alguns instantes que ficaram na memória …

Gostando muito de fotografia, mas não sendo fotógrafo profissional, nem me considerando especialmente competente na matéria, acredito que mesmo assim sou capaz de captar algumas imagens de interesse pictórico …

Irei divulgando aqui algumas delas acompanhadas por um pequeno texto sobre a história dos lugares e impressões que tive quando as tirei … a que darei o nome de «Um Certo Olhar» …

Na Atalaia … da Trafaria

No dia 19 de Março de 2011, num Sábado à tarde, visitei a vila da Trafaria para tirar algumas fotografias do património local, em especial da Igreja de São Pedro e da Ermida de Nossa Senhora da Conceição, sobre a qual publiquei um post neste blog.

No património da Trafaria há contudo um outro templo que é menos conhecido, até pela sua inacessibilidade, é o caso da Capela de Nossa Senhora da Saúde, situada dentro do Forte da Trafaria.
Edificada originalmente em 1678 por determinação do Provedor-Mor e Oficiais da Saúde da Câmara de Lisboa, junto aos Armazéns do Lazareto do Porto de Belém (situado então na Trafaria), foi reedificada em 1725 em conjunto com os edifícios principais do Lazareto, seguindo o projecto do arquitecto Mateus do Couto, projecto o qual lhe deve ter dado as feições actuais.
Teve posteriormente obras de restauro da ruína causada pelo terramoto de 1755, as quais se achavam concluídas em 1786.

Em 1743, sob a direcção do Sargento-mor Engenheiro Carlos Mardel, são introduzidas diversas melhorias no Lazareto, sendo construída uma enfermaria e sendo murado, colocando um portão que vem impedir o acesso da população da Trafaria á Capela em período de quarentenas, esta situação de falta de acesso directo à Capela continuou, mesmo depois da transferência do Lazareto da Trafaria para a Torre Velha em 1815, assim permanecendo até aos dias de hoje ...

Logo, à falta de melhor, tentei tirar uma fotografia do exterior do Forte com o melhor ângulo possível, tentando também captar algum aspecto curioso da Capela que pudesse utilizar em futuras publicações, e o que saiu foi a foto abaixo, a que chamei «Na Atalaia … da Trafaria», trata-se de uma Gaivota pousada no cruzeiro da fachada da Capela olhando no horizonte o pôr-do-sol em direcção à Barra do Rio Tejo ….

RUI M: MENDES
21 de Junho de 2011

Lugares da Charneca de Caparica (2): A Aroeira, patrimónios do passado e do futuro

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Novo site da Paróquia de Cacilhas



Para quem quiser conhecer um pouco melhor a história da Freguesia de Cacilhas em Almada e da Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
 
Cacilhas vista do Rio, 1846, Gravura xilográfica de João Pedroso
Fonte: Revista Panorama, Vol. 1, 1847, p. 137

RUI M. MENDES
15 de Junho de 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Comemoração do Dia Internacional dos Arquivos

Comemoração do Dia Internacional dos Arquivos seta indicativa de direcção do conteúdo 
Separador

Arquivo Histórico Municipal



  
O Arquivo Histórico Municipal de Almada, no âmbito da celebração do "Dia Internacional dos Arquivos", dia 9 de Junho de 2011, abre a as suas portas das 10.00h. às 19.00h., para que todos os cidadãos possam visitar as suas instalações e descobrir alguns dos seus "tesouros".
  
O programa das comemorações inclui visitas guiadas ao Arquivo, aprazadas para as 10h, 15h e 17h. As visitas, sujeitas a marcação prévia, serão em grupos de pequena dimensão e incluem a apresentação do Arquivo e das actividades profissionais a ele associadas.
 

Contactos para marcação
Rua Visconde Almeida Garrett, 12
2800-014 Almada
Tel.: 212724900
Fax: 212724919
E-mail: arq.hist.mun@cma.m-almada.pt