atras da ponte: Trás da Ponte - Páteo do Genovês: Entrada no Páteo do Genovês pela Rua dos Valentes Dentro do Páteo, com a Rua dos Valentes ao fundo Páteo do Genovês em pleno séc. ...
Este Pátio do Genovês, que mostra ter uma casa originária do século XVIII-XIX estará quase certamente associada a um Angelo Lapianes, comerciante genovês que viveu e casou no Seixal e que é antepassado da família portuguesa dos "Piano" que foram donos dos Solar dos Zagallos, da Sobreda, no século XX.
Em 23 de Fevereiro de 1789, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Seixal, casou «Angelo de Lapianes, solteiro, filho de João Baptista, já defunto e Bárbara Maria, baptisado na freguesia de S. Martinho de Murta, Bispado e República de Génova, morador na freguesia de Arrentela, onde se desobrigou, e as antecedentes na freguesia do Loreto, de Lisboa; com Luísa Maria Caetana, solteira, filha de Manuel de Torres Barbosa, e de Teresa Bernarda, natural e bap. nesta freguesia onde se tem desobrigado».
Rui Mendes
Um Blog sobre História e Património Local: arquitectura, arte e património religioso.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Revista Anais de Almada n.º 15-16 (2012-2013)
Revista Anais de Almada n.º 15-16 (2012-2013)
Foi lançado no passado mês de Abril, no Arquivo Histórico Municipal de Almada (Casa Pargana), mais um número da revista cultural “Anais de Almada”, desta vez o número duplo 15-16 (2012-2013).
Neste novo número podemos, ao longo das suas mais de 300 páginas, ler oito importantes artigos da responsabilidade de arqueólogos, sociólogos, investigadores e ensaístas, em temáticas que abrangem a história do território de Almada desde o Período do Paleolítico, até ao século XX, em temáticas tão diferentes como a ocupação islâmica, a majólica italiana, as visitações da Ordem de Santiago no período medieval, Gil Vicente, religiosidade popular nos séculos XVIII e XIX, a Época de D. Miguel e finalmente o fenómeno do desenvolvimento urbanístico e turístico da Costa da Caparica.
Esta revista, que completa este ano o seu décimo-quinto aniversário, tem vindo ao longo da sua existência a possibilitar a divulgação de trabalhos de investigação relevantes quer de académicos, quer de investigadores locais, que decidiram debruçar-se sobre as terras e gente almadense.
Caparica, 23 de Maio de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
São Pedro da Cadeira (IV): Património religioso
(**) REVISÃO: 17 de Julho de 2014
Continuação de:
http://historiapatrimonio.blogspot.pt/2013/03/sao-pedro-da-cadeira-iii-edificios-mais_7.html
Continuação de:
http://historiapatrimonio.blogspot.pt/2013/03/sao-pedro-da-cadeira-iii-edificios-mais_7.html
Capela de N. Senhora da Esperança ou das Candeias ? (Coutada)
No lugar da Coutada, na quinta dos Priores, existe uma Ermida dedicada a N. Senhora da Esperança que está ligada a uma tradição segundo a qual o seu fundador a ergueu em agradecimento à Virgem por conseguir finalmente ter um filho, depois de os dois primeiros lhe terem morrido.
Não se sabe quem foi o seu fundador mas apenas que em 1758 pertencia ao Desembargador José Cardoso Castelo e que a mesmo se tinha arruinado com o terramoto junto com a Quinta.
Foi reconstruída em 1800 pelos moradores da Coutada e aberta ao culto por Licença dada em 10 de Maio de 1800 (1).
Foi reconstruída em 1800 pelos moradores da Coutada e aberta ao culto por Licença dada em 10 de Maio de 1800 (1).
No século XX foi de novo reconstruída junto com a quinta.
Igreja de N. Senhora da Saúde (Coutada)
(Igreja da Coutada – Col. site www.saopedrodacadeira.pt)
Igreja edificada pelos moradores deste lugar segundo projecto do Arqt.º António Flores Ribeiro (Secretariado das Novas Igrejas do Patriarcado). Depois da 1.ª pedra ter sido lançada em 1 de Janeiro de 1981, foi solenemente inaugurada e aberta ao culto em 23 de Setembro de 1984 (2).
Capela de St.º António (Quinta das Figueiras)
Ermida edificada em 1710 por António de Miranda dos Santos junto das casas da sua quinta das Figueiras, cuja Licença de edificação foi registada na Câmara Eclesiástica em 15 de Maio de 1710 (3).
Em 1758 pertencia a Capela e Quinta a João da Costa e Morais.
Em 1911 estava a Capela secularizada e as imagens e objetos de culto encontravam-se à guarda da Igreja Paroquial.
Em 1911 estava a Capela secularizada e as imagens e objetos de culto encontravam-se à guarda da Igreja Paroquial.
Igreja de S. João Baptista (Assenta)
A Capela original foi edificada em 1751 pelo Pe. João Álvares e demais moradores no Casal das Figueiras e Assenta. Tinha rendimentos próprios consignados numa Escritura de dote feita em Torres Vedras a 12 de Agosto de 1749 pelo tabelião José Pinto Valadares. Teve Licença para ser benzida e nela se dizer missa em 29 de Junho de 1751 (4).
Era pública e foi arrolada em 1911.
No século XX foi feita uma nova igreja edificada pelos moradores deste lugar segundo projecto do GAT CM Torres Vedras.
Foi solenemente inaugurada e aberta ao culto em 19 de Setembro de 1993 (5).
Capela de N. Senhora da Conceição (Azenha Velha)
Capela edificada por Estêvão Zagallo de Andrada e sua mulher D. Camila da Silva Negreiros, nas casas da sua quinta de S. Pedro da Cadeira também conhecida por Quinta da Atalaia (Casal do Ulmeiro ?. Azenha Velha). Tinha rendimentos próprios de 4$000 rs anuais consignados numa Escritura de dote feita em Lisboa a 6 de Julho de 1696, pelo tabelião Domingos da Silva. Teve Licença para nela se dizer missa em 30 de Julho de 1699 (6).
Igreja de N. Senhora da Conceição (Camila)
(Igreja da Camila – Col. site www.saopedrodacadeira.pt)
Já neste século foi edificada no Alto da Camila uma Igreja também dedicada a N. Senhora da Conceição para servir de centro culto para os moradores de Gentias, Azenha Velha, Carvalhais, Feteira e Cambelas.
O projecto foi da autoria da Desenhadora Helena Franco e a obra foi conduzida pelo sr. Roque da Silva, sendo solenemente inaugurada e aberta ao culto em 11 de Setembro de 1997 pelo Bispo Auxiliar D. António Vitalino Canas (7). (**)
Capela de S. Nuno (Soltaria)
(Capela de S. Nuno em 2009 – Col. Rui Mendes)
A Capela edificada pelos moradores de Casais Miguéis e Soltaria, foi-lhe posteriormente acrescentada uma torre e alpendre também da autoria da Desenhadora Helena Franco, obra que, segundo inscrição local, foi inaugurada em 8 de Julho de 2007 (8). (**)
Capela do Cemitério
FIM
RUI M. MENDES
Caparica, 13 de Setembro de 2012
(*) Foto inserida em 12-12-2013
(**) REVISÃO: 17-07-2014
Notas:
(1) TT-CEL, Mç. 1805, s/n – Inéditos (revisto em 19/4/2025). Nota: por lapso fora indicado anteriormente que tinha sido reedificada por José Franco de Carvalho, que na mesma época reedidificou a Ermida de São Gião
(2) Vida Católica, 2ªS, N.º 34, pág. 142
(3) AHPL, Ms. 409, fól. 9 – Inédito
(4) AHPL, Ms. 355, fól. 154; TT-CEL, Mç. 1809, N.º 148 – Inéditos
(5) Vida Católica, 2ªS, N.º 34, pág. 155
(6) AHPL, Ms. 197, fól. 249 – Inédito
(7) Vida Católica, 2ªS, N.º 36, pág. 535. Revisto em 17-07-2014 de acordo com informação da própria autora a Desenhadora Helena Franco. (**)
(8) Revisto em 17-07-2014 de acordo com informação da própria autora a Desenhadora Helena Franco. (**)
(8) Revisto em 17-07-2014 de acordo com informação da própria autora a Desenhadora Helena Franco. (**)
TT : Torre do Tombo
AHPL : Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa
CEL : Câmara Eclesiástica de Lisboa
São Pedro da Cadeira (I): Geografia, Toponímia e Heráldica

São Pedro da Cadeira é uma freguesia do Concelho de Torres Vedras com cerca de 23 km² e 4400 habitantes, confronta a norte com a freguesia da Silveira, a nascente com a de São Mamede da Ventosa, a sul com a freguesia da Encarnação (Mafra), e a poente com o Oceano Atlântico. Tendo a uma das áreas menos urbanizadas do concelho de Torres Vedras (com mais de 50% do território da freguesia incluído em reserva agrícola ou ecológica), esta localidade goza ainda de uma relativa tranquilidade complementada pela espetacular paisagem da costa oceânica que vai desde a Foz do Lizandro até à Praia do Barril. Fazem parte desta freguesia além da povoação-sede de São Pedro da Cadeira (550 hab.), as povoações de Escaravilheira (654), Coutada (651), Assenta (645), Cambelas (437) e ainda os pequenos lugares de Azenha Velha (299), Soltaria (239), Barrocas (183), Casal Pinheiro (133), Bececarias (130), Gentias e Foz (105), Casal da Pedra Pequena (62), Carvalhais (62) e Figueiras (56). Também nesta freguesia foram identificados alguns lugares de edificação dispersa tais como: Casal Ramalhal, Casal Belmonte, Casal da Amoreira, Casal das Covas de Baixo, Casal do Barro e Porto Rio.
A toponímia local apresenta diversas origens, por um lado os termos mais antigos como Randide, Soltaria, Cambelas, Bececarias e Escaravilheira que denotam origens francas típicas também em outras zonas do concelho de Torres vedras e concelhos limítrofes, o que é lógico pois após a reconquista muitas destas terras foram dadas a colonos francos. Por outro temos topónimos que denotam formas de povoamento e propriedade como Coutada ou Assenta, termos já aqui referidos no séc. XIII ou os Casais expressão que já aparece aqui no séc. XIV.
Existem também topónimos comuns relacionados com construções e condicionantes do terreno e vegetação como Azenha Velha, Barrocas, Carvalhais, Feteira e Figueiras, muito provavelmente de origem mais recente (séc. XVI-XVII), bem como um, o dos Casais e Alto da Camila, nome que deve ter origem em D. Camila da Silva Negreiros, mulher de Estêvão de Zagallo Andrada, que foram proprietários na primeira metade do séc. XVIII de uma quinta próxima a este local.
Já o nome da freguesia e povoação-sede é um hagiotopónimo claramente influenciado pela invocação da Capela, depois igreja paroquial, já existente no início do séc. XVI, mas certamente anterior, o qual acabou por substituir o de Rendide.
Áreas Urbanas da Freguesia de São Pedro da Cadeira (Fonte: PDM Torres Vedras 2006)
A freguesia de São Pedro da Cadeira possui brasão, com a seguinte constituição:
Escudo de prata, cadeira de vermelho, realçada de ouro, carregada no espaldar de uma cruz de prata de três travessas; em chefe, dois cachos de uvas de púrpura, folhados de verde; campanha ondada de verde, prata, azul, prata e verde. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «S. PEDRO DA CADEIRA».

RUI M. MENDES
Caparica, 13 de Setembro de 2012
São Pedro da Cadeira (III): Edifícios mais notáveis
Continuação de:
http://historiapatrimonio.blogspot.pt/2012/09/sao-pedro-da-cadeira-ii-origens-e.html
http://historiapatrimonio.blogspot.pt/2012/09/sao-pedro-da-cadeira-ii-origens-e.html
São sem dúvida dois dos mais antigos e notáveis edifícios da freguesia de São Pedro da Cadeira, a Igreja Paroquial, dedicada à Cadeira de S. Pedro de Antioquia, e a Capela de Nossa Senhora da Cátedra, ambas documentadas no século XVI mas de origem mais antiga.
Igreja Paroquial de S. Pedro da Cadeira
(Igreja Paroquial de S. Pedro da Cadeira – Col. site http://fozdoriosizandro.no.sapo.pt)
A Igreja de S. Pedro da Cadeira, antiga Capela de Randide (1506) tem origem numa Albergaria cujo Compromisso parece datar do século XV, senão anterior. Foi edificada pelos anos de 1530-35 e de novo reedificada no reinado de D. João IV e no século XVIII.
Descrita em 1963 por Carlos de Azevedo e Adriano de Gusmão (1) como uma «Igreja franqueada por porta seiscentista, sobre a qual uma pequena pedra tem esculpida a mitra papal e as chaves, atributos do orago. Em frente da fachada, um cruzeiro simples, datado de 1689.
O interior, de uma só nave, é decorado por um bom silhar de azulejos do século XVII, de tipo de tapete. Tem coro alto sustentado por duas colunas toscanas com pias de água benta integradas nos fustes. A pequena capela baptismal é de notar, com a sua cúpula semiesférica e azulejos também do século XVII, de dois padrões porventura ainda mais bonitos que os já citados. A própria fonte baptismal é uma boa taça oitavada, de pedra, pouco trabalhada mas elegante, suportada por um colunelo facetado. Quanto ao púlpito, de laje de pedra rosada, é do século XVII.
Os altares colaterais não têm interesse, mas conservam algumas boas imagens. E, finalmente a capela-mor é a peça mais importante da igreja. As paredes são forradas com um largo silhar de azulejos do século XVII e, por cima destes, largas molduras de talha dourada enquadram quatro telas que sugerem o estilo de Bento Coelho da Silveira. O retábulo é um bom trabalho de talha dourada do começo do século XVIII, de quatro colunas tão ricamente trabalhadas que quase escondem a sua forma torsa. O altar, porém, é moderno e possivelmente substitui um outro mais antigo e de maiores dimensões, a avaliar pelo grande frontal que se encontra na arrecadação do lado da Epístola. Na sacristia, uma fraca pintura em madeira, do século XVII, representando O Calvário».
Este templo que apresenta características do século XVII por ter sido reedificado no reinado de D. João IV, tem contudo origem num templo anterior já referido em 1506, mas certamente muito mais antigo pois já em 1507 se encontrava em ruínas, razão pela qual foi feito de novo entre 1530 e 1535, sendo a capela-mór por conta dos padres de S. Miguel de Torres Vedras, e o corpo da igreja do povo (2).
Por causa de ruínas sofridas no século XVII, de origem não especificada, os fregueses alcançaram licença de D. João IV para a sua reedificação, conforme regista o Cura de S. Pedro da Cadeira nas suas Memórias Paroquiais de 1758, no entanto as obras devem-se ter prolongado por quase toda a segunda metade desse século como parece indicar a data de 1689 registada no cruzeiro fronteiro. É provável que o principal das obras já estivesse contudo concluído pelos anos de 1669, pois em 14 de Janeiro desse ano foi concedida licença pelo Arcebispo de Lisboa para haver Sacrário na Igreja de S. Pedro da Cadeira (3).
Esta igreja sofreu ainda danos significativos com o terramoto de 1755, pois o Cura da freguesia diz em 1758 que «era esta Igreja de uma nave a qual com o Terramoto caiu no chão, e assim está pelos Fregueses serem muito pobres».
As obras de reconstrução duraram até 1761 com grande empenho dos paroquianos que para elas contribuem, sendo que nesse ano de 1761 foi ano da entrada de Nossa Senhora da Nazaré (4).
No Fundo do Ministério das Obras Públicas regista-se ainda uma campanha de obras e reparos feitos em 1893-95 (5).
Na altura do terramoto tinha ainda a Igreja, além do Altar-mor, mais quatro altares laterais dedicados ao Santíssimo Nome de Jesus, a N. Senhora do Rosário, a S. Sebastião, e a S. Miguel.
No século XIX tinha de fundo 150 palmos e de largo 37 além 3 altares.
Tem no degrau da pia baptismal 2 lápides romanas sendo estes elementos sem dúvida um dos que mais destaque merece pela sua antiguidade.
As quatro telas com representações de parábolas que de acordo com Carlos de Azevedo sugerem o estilo de Bento Coelho da Silveira (1620+1706), também Luís de Moura Sobral (6) as regista como contemporâneas deste pintor, um dos mais profícuos do seu tempo, em Portugal, colocando-as contudo no âmbito daquelas que apesar da qualidade plástica revelada permanecem anónimas na sua autoria, sendo muito provavelmente uma encomenda feita a uma oficina de Lisboa.
Capela de N. Senhora da Cátela ou Cátedra (S. Pedro da Cadeira)
(Capela de N.ª Sr.ª de Cátela – Col. site www.saopedrodacadeira.pt)
(Desenho de Nuno Mendonça, 1963, in AZEVEDO)
Representada por Nuno Mendonça e descrita por Carlos de Azevedo e Adriano de Gusmão (7) como estando «situada já fora mas ainda cerca da povoação de S. Pedro da Cadeira na estrada para Torres Vedras, a pequena Capela da Senhora da Cátela, ou da Cátula (corrupção de Cátedra), esconde um surpreendente interior atrás de uma modesta fachada, onde apenas se recorta um pequeno e antigo óculo estrelado. Com efeito, o pequeno templo conserva um bom silhar de azulejos de ponta de diamante, do século XVII. e a capela-mor, de planta quadrada e abóbada de aresta, é mesmo notável pelo seu belíssimo forro destes azulejos que também decoram a fresta, e pelo frontal de altar em azulejos hispano-árabes. O retábulo de talha é pequeno e modesto, do século XVIII. A valorizar porém o conjunto, uma imagem de pedra policromada, do século XVI, representando a Virgem do Leite. Na pilastra do arco triunfal, chanfrado, lê-se a seguinte inscrição:
FEITA NA ERA DE 1555 ANOS
SENDO JUIZ ÁLVARO VAZ DO URMEIRO
No lintel da pequena porta que se encontra na capela-mor, do lado da Epístola, a data de l669».
(Alçado e Planta da Capela, Col. Arquivo Histórico de Torres Vedras)
Pouco se sabe acerca da sua fundação, sendo no entanto bastante antiga pois editores da 2ª edição de Madeira Torres referem que tinha várias propriedades com tombo feito em 1507, encontrando-se o mesmo no tombo da provedoria, juntamente com o da confraria de S. Pedro da Cadeira (fl. 342 vº). Neste tombo encontra-se esta ermida com o nome de "N. Sra. da Cátula" (8).
Segundo as Memórias Paroquiais constava-se que a Imagem era «do tempo dos Godos, a qual diz estar enterrada naquele sítio e que andando lavrando hum lavrador açoitando os bois estava a senhora enterrada, e lhe fizeram a dita Ermida», o que terá acontecido no século XV ou ainda antes.
Certa é a data da sua reedificação, feita em 1555 por ordem do Juiz da Confraria Álvaro Vaz de Urmeiro, conforme inscrição local, para estas obras deve ter contribuído a mercê concedida em 1536 por D: João III aos juízes da «Irmandade de N.ª Sr.ª da Cátula em Torres Vedras» para poderem fazer Bodo, neste tempo este tipo de licenças era dado com a condição de não se fazerem despesas desnecessárias e de se reservar a quarta parte das esmolas colhidas para os ornamentos do altar e fábrica da igreja ou capela e caso esta não necessitasse a quarta parte era para se celebrarem missas pelas intenções dos ofertantes (9).
Uma nova campanha de obras no século XVII conforme parece documentar a inscrição da data de 1669.
Esta ermida, também referida no Santuário Mariano, livro 1º tit. 25 (10) sofreu grande ruína com o terramoto conforme se relata em 1758 nas mesma Memórias Paroquiais, onde o Cura diz «que com o Terramoto se arruinou» foi contudo reedificada por iniciativa de José Francisco Miranda em 1781 recebendo Licença para nela novamente se dizer missa em 25 de Janeiro de 1782 (11). Nas obras setecentistas foi acrescentado um portal de claro gosto pombalino assim como o retábulo de talha.
A IMAGEM
A imagem da Virgem do Leite tem de estatura 4 palmos. Obra em pedra onde a Senhora tem sobre o braço esquerdo o menino; estão ambas as figuras coroadas de prata, e ricamente encarnadas e pintadas ao antigo. O Menino Jesus tem na mão uma cruz (in. "Santuário Mariano")
(N.ª Sr.ª do Leite e Altar de N.ª Sr.ª da Cátela – Col. Arquivo Histórico de Torres Vedras)
RUI M. MENDES
Caparica, 13 de Setembro de 2012
Notas:
(1) Carlos de Azevedo e Adriano de Gusmão – Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Vol. IV, Lisboa : Junta Distrital de Lisboa, 1963, pp. 35-37.
(2) http://arqtvedras.home.sapo.pt/LetraS/S0109.htm
(3) AHPL, Ms. 291, fól. 284 – Inédito
(4) http://ciriodapratagrande.com/saopedrocadeira/?file=kop1.php
(5) TT, Ministério das Obras Públicas mç. 472
(6) Luís de Moura Sobral – Bento Coelho e a Cultura do Seu Tempo, 1998, pág. 58.
(7) Carlos de Azevedo e Adriano de Gusmão – Idem
(8) http://arqtvedras.home.sapo.pt/LetraN/N0007.htm
(9) TT-CHR, D. João III, Liv. 22, fól. 117 – Portugal, Torre do Tombo, mf. 5448
(10) Frei Agostinho de Santa Maria, Santuário Mariano, Tomo I, Tít. XXV, pp. 86-87, 1707:
TITULO XXV
Da Imagem de nossa Senhora da Cathedra no termo de Torres Vedras
«HE Maria Santíssima a May da eterna sabedoria & ella mesma he a sabedoria assim o diz Salamão: Ego Sapientia habito in consilio & eruditis intersum cogitationibus. He Mestra da Igreja & assim está em cadeyra hoje dictando, & instruindo com a sua intercessão a todos os filhos della. Assim parece o disse Hesychio chamando lhe Cadeira de Cherubim, que como a estes espíritos se attribue a sabedoria para mostrar o Padre a alta sabedoria da Senhora lhe chama Cathedra Cherubica, Cadeira verdadeiramente de Cherubins porque della não só ensina mas sem cessar á imitação dos Cherubins está louvando ao Senhor por nós Tibi Cberubim Seraphim in cessabili Voce etc rendendo-lhe incessantes louvores pelas misericórdias que por intercessão sua nos reparte illustrando nossos entendimentos & enchendo-nos da sabedoria de sua divina graça para merecermos as da sua gloria.
No termo da Villa de Torres Vedras, duas legoas distante da mesma Villa para a parte do Norte fica a de São Pedro da Cadeira, Em pouca distancia desta Parochia, ou lugar também para a parte do Norte fica hua Ermida dedicada a nossa Senhora com a invocação & titulo da Cadeira, ou Cathedra. A ethimologia deste nome dizem alguns ser derivado de huma grande povoação, que alli havia antigamente a que chamavão a Cathedra, pela Igreja que também alli havia dedicada ao Príncipe dos Apostólos São Pedro & ainda hoje conserva a Parochia & o lugar este título chamando-se São Pedro da Cadeira ou da Cathedra, que he o mesmo. No altar mor desta Ermida he venerada hua devota Imagem de nossa Senhora : a qual ou fosse por haver estado primeyro em a mesma Igreja de S Pedro ou por estar no mesmo lugar & freguesia, he buscada e venerada com este título. Outros a invocão com o título de nossa Senhora do Ó, mas o mais commum he o de nossa Senhora da Cathedra. Donde esta Santa Imagem veyo nem em que tempo se lhe edificou a sua Ermida se ignora: o que se sabe de certo he que he muyto antiga.
Tem esta Santa Imagem de estatura quatro palmos de escultura, obra em pedra, tem sobre o braço esqucrdo ao Menino Deos; são estas Imagens muyto perfeitas, & de fermosas feições estão ambas coroadas de prata & ricamente encarnadas & pintadas ao antigo & sendo a encarnação feita há muytos annos parecem acabadas de poucos dias. O Menino JESUS tem na mão huma Cruz. Sendo aquella freguesia antiquíssima ainda querem que seja nella muyto mais antiga a Senhora. He a sua Ermida annexa à Igreja Matriz de Torres Vedras, & assim o Prior da mesma Igreja a administra. Tem aquelles lugares muyta devoção com esta Santa Imagem; obséquio devido aos muytos favores que recebem de Deos por sua intercessão».
(11) TT-CEL, Mç. 1837, s/n – Inédito
TT : Torre do Tombo
AHPL : Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa
CEL : Câmara Eclesiástica de Lisboa
CHR : Chancelaria Régia
domingo, 23 de dezembro de 2012
Vistas desconhecidas de Lisboa, Almada e Sintra, de Napoleon Orda, no Museu Nacional de Cracóvia
Foram vários os visitantes estrangeiros que nos séculos XVIII e XIX visitaram Portugal, e em especial Lisboa e arredores, deixando as suas impressões sob a forma de crónicas, cartas, livros e mesmo de pinturas, e que constituem ainda hoje um interessante conjunto de documentos para o estudo da época.
Neste particular encontrámos recentemente um artigo publicado no ano de 1979 pelo Dr. Adão C. Zielinski – «Vistas desconhecidas de Portugal num Museu Polaco» (in Olisipo, 1.ª Série, n.ºs 139/140, A. 39/40, Lisboa : Grupo «Amigos de Lisboa», [1979], pp. 90-98) com um conjunto de sete gravuras (aguarelas) de pequena dimensão (15,6 cm x 22,1 cm), onde se podem encontrar impressões paisagísticas de Almada (que nos parece contudo pouco precisa), Lisboa e Sintra.
As mesmas gravuras foram 13 anos mais tarde aproveitadas para a exposição – Imagem da Polónia, Lisboa : Biblioteca Nacional (Portugal), 1992, coordenada por Maria Danilewicz e Lúcia Liba.
Tratam-se de obras do pintor polaco Napoleon Orda (1807 † 1883) (ver imagem), que visitou Portugal em 1842.
Pintor polaco Napoleon Orda (1807 † 1883)
Napoleon Mateusz Tadeusz Orda nasceu em 1807 numa família de lavradores fidalgos de origem polaca, em território do Império Russo na região de Pinsk, actual Bielorrússia. Em 1831, aquando da insurreição dos polacos contra a Rússia, que ocupava a maior parte da Polónia, partilhada desde 1795 pelas três potências vizinhas (Rússia, Prússia e Império Austro-Húngaro), alistou-se no exército livre polaco, combatendo no 4.º regimento de infantaria até ao fim da insurreição em 1832.
Pouco depois, para evitar a perseguição dos russos decide abandonar o seu país fixando residência em Paris em 1833. Aqui chega a estudar música com o seu compatriota polaco Frederic Chopin, também ele exilado em Paris, mas rapidamente opta pela pintura, tendo por principal mestre Pierre Girard. A partir de Paris fez diversas viagens a Espanha, Portugal, Argélia, Alemanha, Holanda, Inglaterra, de onde trouxe numerosos desenhos, muitos deles no espólio do Museu Nacional de Cracóvia.
Regressou entretanto à sua terra natal em 1856, depois de decretada pela Rússia uma amnistia geral aos insurgentes de 1831. A partir de 1860 inicia a grande obra da sua vida, uma colecção de desenhos dos monumentos arquitectónicos de todo o território histórico da Polónia.
Do seu trabalho, uma grande parte está, como já se disse, em Cracóvia, contudo existem também outras gravuras em diversos museus e colecções particulares.
Faleceu em Cracóvia em 1883, sendo as suas obras integradas no espólio doado ao Museu Nacional de Cracóvia pela família do pintor, no ano de 1886.
A obra de Orda manteve-se relativamente desconhecida do grande público até à publicação de um catálogo da mesma, no ano de 1975.
As sete gravuras feitas por Orda em Portugal haviam já sido publicadas em reproduções a preto e branco, nas obras inicialmente citadas, contudo as reproduções que publicamos em anexo fazem parte do catálogo online do Museu Nacional de Cracóvia.
RUI M. MENDES
Caparica, 23 de Dezembro de 2012
Fontes:
Dr. Adão C. Zielinski – «Vistas desconhecidas de Portugal num Museu Polaco», in Olisipo, 1.ª Série, n.ºs 139/140, A. 39/40, Lisboa : Grupo «Amigos de Lisboa», [1979], pp. 90-98.
Maria Danilewicz; Lúcia Liba Mucznik [coord.] – Imagem da Polónia: [catálogo da exposição], Lisboa : Biblioteca Nacional (Portugal), 1992, p. 48
Anexos:
Almada: vista geral, 1842, de Napoleon Orda (Aquarela em suporte de papel 15,6 cm x 22,1 cm)
Museu Nacional de Cracóvia, Polónia, ref. MNK III-ra-4963
Pasta a partir de uma viagem para aos Pirenéus, Espanha e Portugal, n.º 13
Sintra, 1842, de Napoleon Orda (Aquarela em suporte de papel 15,6 cm x 22,1 cm)
Museu Nacional de Cracóvia, Polónia, ref. MNK III-ra-4964
Pasta a partir de uma viagem para aos Pirenéus, Espanha e Portugal, n.º 14
Lisboa, 1842, de Napoleon Orda (Aquarela em suporte de papel 15,6 cm x 22,1 cm)
Museu Nacional de Cracóvia, Polónia, ref. MNK III-ra-4973
Pasta a partir de uma viagem para aos Pirenéus, Espanha e Portugal, n.º 22
Sintra: Capuchos, 1842, de Napoleon Orda (Aquarela em suporte de papel 15,6 cm x 22,1 cm)
Museu Nacional de Cracóvia, Polónia, ref. MNK III-ra-4970
Pasta a partir de uma viagem para aos Pirenéus, Espanha e Portugal, n.º 19
Sintra: Convento dos Capuchos, 1842, de Napoleon Orda (Aquarela em suporte de papel 15,6 cm x 22,1 cm)
Museu Nacional de Cracóvia, Polónia, ref. MNK III-ra-4972
Pasta a partir de uma viagem para aos Pirenéus, Espanha e Portugal, n.º 21
Sintra: Cruzeiro de Pedra, 1842, de Napoleon Orda (Aquarela em suporte de papel 15,6 cm x 22,1 cm)
Museu Nacional de Cracóvia, Polónia, ref. MNK III-ra-4971
Pasta a partir de uma viagem para aos Pirenéus, Espanha e Portugal, n.º 20
Lisboa, 1842, de Napoleon Orda (Aquarela em suporte de papel 15,6 cm x 22,1 cm)
Museu Nacional de Cracóvia, Polónia, ref. MNK III-ra-4967
Pasta a partir de uma viagem para aos Pirenéus, Espanha e Portugal, n.º 17
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
São Pedro da Cadeira (II): Origens e história da freguesia
Época Medieval
Estabelecida
como freguesia possivelmente entre o século XV e XVI, o povoamento desta zona
do concelho é contudo mais antigo, como se comprova não só pelos vestígios
arqueológicos aqui encontrados, como também pela documentação histórica. Assim
um dos mais antigos documentos a referirem-se aos lugares desta freguesia é
precisamente a Carta do aforamento feito pelo Rei D. Afonso III, em 14 de
janeiro de 1272, de várias courelas na Coutada de Rendide ou Randide («Randidi»
no original), nome pelo qual era conhecida esta região então, a 16 foreiros,
que se podem dizer serem os mais antigos povoadores conhecidos da região, a
saber.
-
Pedro Domingues, genro de Sansão
-
Soeiro Orvalho
-
Lourenço Martins, criado de Soeiro Carvalho
-
Miguel João
-
Afonso Pedro, filho de Pedro Martins, tabelião de Torres Vedras
-
Pedro Martins, tabelião de Torres Vedras
-
Vicencio Pedro dito Reganado
-
Martinho de Armaz
-
Francisco Vicente
-
Gonçalo Gonçalves, genro de Pedro Afonso de Óbidos
-
João Pedro, da Romeira
-
Miguel Mendes, genro de Paio Alaleima
-
João Paio, genro de D. Romeu
-
João Soeiro, de Monte Ferreiro
-
Estêvão Mendes
-
Jordão de Rendide
(Vida no Campo na Época Medieval)
O
aforamento destas courelas era dado aos referidos foreiros na condição de eles
e seus sucessores as lavrarem bem e darem 1/3 dos frutos que estas dessem, de
pão, vinho, linho, de óleo (azeite ?), legumes, alhos e cebolas, bem como 2
alqueires (pela medida de Torres Vedras) de farinha de trigo peneirada, um
capão bom e uma dúzia de ovos (1).
Por
esta altura já existem documentos de aforamentos de bens da Ordem de Malta aqui
situados pois Frei Afonso Peres de Farinha, Prior do Hospital de S. João (entre
1260 e 1276), deu a foro uma vinha no lugar de Assentada e outra em Randide, e
uma vinha e herdade em Randide (2).
Em
1295 também a Colegiada de S. Miguel de Torres Vedras aparece como proprietário
em Randide na Carta de venda de uma herdade «onde chamão Várzea do Redondo»
(3).
No
séc. XIV voltamos a ter registos da coutada e casais de Rendide pois em 1385 D.
João I deu em tença a Vasco Martins da Cunha, o Moço, vassalo de D. João I, que
foi senhor de Penalva, Sinde e Azere, a sua Coutada de Rendide por Carta de 6
de Outubro (4).
(Registo da Carta de D. João I em 1385)
O
mesmo D. João I fará mais a doação dos casais que tinham sido do marquês de
Montemor a um tal de Gomes Soares, onde é referido o casal de «Rendide»
Este
tipo de senhorio de terras era muito comum no concelho de Torres Vedras e em
especial no litoral do concelho, conforme regista Madeira Torres (5):
«Na
Freguesia de S Pedro da Cadeira logo nos seus confins do lado Norte há alguns
terrenos pensionados à Igreja de S Μiguel da nossa Villa e cobra hum considerável
foro da Quinta denominada d Arêa entre esses limites e a margem direita do
Sisandro existem diversos casaes que formão hum importante prazo da casa do
Barão de Tavarede (Cabral Quadros) de o qual demais de algumas propinas recebe
o terço da produção (b) além disso há propriedades de que se paga o quarto á
Commenda de Malta e algumas pensionadas á Capella de Travassos, de onde tirão o
nome. Além da margem esquerda do Sisandro há casaes pensionados ao Mosteiro de
Odivellas e outros de que se paga o terço em que levão metade as Ex.mas Casas
do Duque de Lafões e de Noronha; finalmente as várzeas situadas entre os
lugares de S Pedro da Cadeira e da Coitada, na maior e melhor parte posto que
algumas damnificadas pelas áreas do rio, humas são pensionadas à Sereníssia
Casa de Bragança, e taes são as da Pailepa (c) e outras à Sreníssima Casa do
Infantado e tais são as compreendidas no seu Reguengo no dito Sítio (a).
(b)
Este prazo foreiro ao Mosteiro d’Alcobaça que cobra do primeiro enfiteuta o
foro annual de 14$222 rs compõe se de 9 casaes sendo o de Valverde que tem
Ermida como a cabeça dos outros que são o do Grillo; dois d’Alfaiata; de
Sequeira; de Val de Martello; da Casa branca; do Palmeiro; do Monte Guilhão só
o primeiro paga renda ou quota certa e pitanças todos os outros pagão alêm
dessas o terço.
(c)
Os foreiros são 68 e á excepção de 14 d’esses que só pagão pensão certa todos
os outros em cima d’alguma certa e pitança pagão o terço as pensões certas em
trigo somão 239 alqueires em cevada 1414 em gallinhas 374 em frangos.
(a)
He a cabeça do Almoxarifado e se denomina = Reguengo de Rendide = Nos limites
do lugar da Coitada tem 98 propriedade dadas em emprasamentos perpetuos com a
pensão do terço de toda a novidade e pitanças de gallinhas que são na
totalidade 299. Comprehende diversos casaes e propriedades avulsas dentro do
Termo».
Os
senhorios além de casais tinham também aqui algumas propriedades mais extensas
ou quintas que exploravam diretamente ou arrendavam como por ex.º a Quinta de
Pero Lobo citada em 1501 (6), ou a Quinta de Valverde, dotada de Ermida, que
como se viu era prazo do Mosteiro de Alcobaça.
Época Moderna
Sobre
a origem da paróquia de S. Pedro da Cadeira não existem elementos concretos,
contudo os editores de Madeira Torres referem que a Igreja é «muito antiga, e
porventura já do séc. XIV ou XV, a julgarmos pela linguagem do compromisso da
sua confraria, o qual se acha sem data no seu tombo, e como paroquia também não se sabe precisamente o
seu começo. Mas pelo menos no tempo do dito tombo (?) já o era pois fala da
casa de residência que tem o clérigo de S. Pedro; o mesmo se colige já da
visita de 1506, onde se diz que havia capelão, que curava e dava os
sacramentos, obrigando-o a que chamasse os padres de S. Miguel para os enterros
e saimentos» (7).
Na
mesma visitação de 1506 o Visitador da Igreja de S. Miguel de Torres Vedras
regista «achey que a freguesia da dita egreja (de S. Miguel) que asy era curada
per os ditos beneffeciados era grande em que tinham mill almas de curar e mais
afora a capella de Randide que era
curada per capella de fora», no ano seguinte de 1507 dizem as mesmas visitações
que a capela de S. Pedro da Cadeira também necessitava de reparações, sendo que
a obrigação de reparar o corpo da igreja pertencia aos beneficiados de S.
Miguel e o telhado era da obrigação dos fregueses (8).
Esta
Igreja ou Capela de S. Pedro tinha anexa, à semelhança de outras Capelas no termo
de Torres Vedras, uma Albergaria ou Hospital para pobres.
Além
da Confraria de S. Pedro havia também a de N.ª Sr.ª da Cátula (ou da Cátedra), com
a sua Ermida, também referida num Tombo de 1507, e que pelos anos de 1536 organizava
um bodo ou festa anual para angariação de receitas para a fábrica (vide Ermida de N.ª Sr.ª da Cátedra).
O
território da freguesia de São Pedro da Cadeira pertenceu na época medieval à
freguesia de São Miguel de Torres Vedras, de cuja igreja paroquial era filial e
cujos Beneficiados apresentavam o Cura de S. Pedro da Cadeira.
Segundo
consta do livro das visitas de S. Miguel de Torres Vedras, de 1530 até 1535 foi
a igreja feita de novo, sendo a capela-mór por conta dos padres de S. Miguel, e
o corpo da igreja do povo, o que confirma que era Capela antiga possivelmente fundada,
como referido anteriormente no século XV ou antes (9).
O
Título da Igreja ou Capela era a Cátedra
de São Pedro em Antioquia, festa que a Igreja Católica comemora no dia 22
de Fevereiro.
No
século XVI em 1527 (10) as principais povoações da freguesia de S. Pedro da
Cadeira eram:
-
A aldeia de Mougelas e Randide e casais ao redor, com 48 vizinhos;
-
Aldeia da Coutada com os casais ao redor, 21;
-
Aldeia do Zimbral e Areia e casais ao redor, 11, com as Açaqarias (Secarias) (atualmente
na freguesia de Silveira);
-
Aldeia d’Alfayata (Casalinhos de Alfaiata), 25 (atualmente na freguesia de
Silveira).
A
Paróquia foi inicialmente conhecida por São Pedro da Cadeira de Rendide (também
grafada de Randide), por se situar no Reguengo ou Lugar de Rendide, como se
regista na Visitação de 1683 em que se refere: «Sebastião Dias Camelo, prior da
paróquia de S. Lourenço da vila de Santarém e visitador neste arcebispado do
distrito de Torres Vedras faço saber que visitando esta igreja de S. Pedro da
Cadeira no lugar de Rendide (...)».
Além
dos lugares atuais da freguesia fizeram ainda parte do território de S. Pedro
da Cadeira lugares da freguesia da Silveira onde existem ainda as antigas
Ermidas de Santa Cruz, no lugar do
mesmo nome e N. Senhora da Piedade no
Casal ou Quinta de Valverde, propriedade do Mosteiro de Alcobaça, antigas filiais
de S. Pedro da Cadeira.
Em
15 de Dezembro de 1675 os moradores dos lugares da Silveira, Secarias e Cerca,
então freguesia de S. Pedro da Cadeira, fizeram uma escritura para construção
da ermida original de N. Senhora do
Amparo (11), a qual foi inaugurada em 1679 e que sofreu obras no século
XVIII pois em 18 de Julho de 1726 se alcança licença para nela de novo se dizer
missa (12).
Com
o terramoto a paróquia de S. Pedro da Cadeira sofre vários danos, nomeadamente
quanto aos templos e estruturas, assim a ponte do Rio Sizandro, que ligava o
sul ao norte da freguesia, e para a gente passar tiveram de lhe colocar uns
paus.
Esta
ponte fora originalmente edificada em 1326 pelo Mosteiro de Alcobaça por ordem
real conforme se regista em escritura de 30 de Junho desse ano (13).
Na
Igreja de S. Pedro da Cadeira houve uma Irmandade
do Santíssimo Sacramento, responsável pela manutenção do Sacrário, cujo
Compromisso foi aprovado pelo Cardeal de Lisboa, D. Tomás de Almeida, em 2 de
Junho de 1740 (14). Esta Irmandade terá sucedido á Confraria de S. Pedro da
Cadeira.
Foi
natural do lugar de Mouguellas, lugar hoje anexo ao de S. Pedro da Cadeira, o
Padre António de Morais, um dos Irmãos Terceiros
da Ordem da Penitencia estabelecida na Freguesia de S. Pedro da Cadeira, que
aqui foi sepultado pouco depois dos anos de 1770. Admirado estudante, e Sacerdote,
que professou parte da sua vida religiosa no Convento do Varatojo (15).
Em
28 de Setembro de 1926 os lugares a norte do rio Sizandro, com exceção do lugar
da Coutada, separam-se de S. Pedro da Cadeira para formar a nova freguesia da
Silveira, a qual foi também elevada a paróquia em 21 de Dezembro de 1928.
Continua:
http://historiapatrimonio.blogspot.pt/2012/09/sao-pedro-da-cadeira-iii-edificios-mais.html
http://historiapatrimonio.blogspot.pt/2012/09/sao-pedro-da-cadeira-iii-edificios-mais.html
RUI
M. MENDES
Caparica,
13 de Setembro de 2012
Notas:
(1)
Leontina Ventura e António Resende de Oliveira – Chancelaria de D. Afonso III, Volume 2, # 501
(2)
José Anastácio de Figueiredo Ribeiro – Nova
História da Militar Ordem de Malta, Vol. II, pp. 211-212, 275
(3)
TT, Colegiada de S. Miguel de Torres
Vedras, Mç. 6, n.º 114
(4)
Chancelaria de D. João I, liv. I.º, fól. 79v – cit, Anselmo Brancaamp – Brasões da Sala de Cintra.
(5)
Madeira Torres – «Descripção histórica e economica da vila e termo de Torres
Vedras», Memórias da Academia Real de
Ciências de Lisboa, Vol. 11-12, pp. 279-280
(6)
TT-CHR, D. Manuel I, liv. 37, fól. 61
(7)
http://arqtvedras.home.sapo.pt/LetraS/S0109.htm
(8)
Isaías da Rosa Pereira – «Visitações da Igreja de São Miguel de Torres Vedras
(1462-1524)», Lusitania Sacra, 2.ª Série, N.º 7, 1995, pp. 181-252
(9)
http://arqtvedras.home.sapo.pt/LetraS/S0109.htm
(10)
Anselmo Branccamp [ed.], «A Povoação da Estremadura no XVI Século», Archivo
Histórico Português, Vol. VI, Lisboa, 1908, pp. 254-255
(11)
Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno,
Tít.º Torres Vedras, pág. 689
(12)
TT-CEL, Mç. 1809, N.º 352 e 344 - Inédito
(13)
TT, Coleção Especial, Cx. 89, n.º 23 – cit. Pedro Azevedo, «Miscellanea
archeológica», O Archeólogo Português,
Vol. VII, N.º 7: Julhp de 1902, Lisboa : Imprensa Nacional, 1903, p. 180,
182-183:
«Sabhan
todos que ena villa de Torres uedras ssoo Alpender de Martin ssymhões Aluazil
conuen a suaber prestumeyro dia do junho era de Mil e trezentos e sase~eta e
quatro anos en presença de mjn Domingos de carnyde publyco Tabelliõ del Rey ẽ na
dita villa e das t(estemunha)s que adeante sson escritas ffrey Steuã procurador
e celareyro do que a orden de Alcobaça a ẽ Torres uedras e ẽ seu termho disse e
ffrontou ao dito Aluazil que El querya cõprir a carta del Rey que El dise que tijnha
sarrada pera fazer as pontes asy e como ẽ ela era denyaado come quer que nõ
ffose dereyto protestando que nõ ffosse ẽ seu preiuizo e que a querya ffazer en
esta guyssa en rrandide ena testeyra per hu entesta Alcobaça conuen a ssaber
ponte de lageas per tal guyssa que sen receo ffosen per ela e que durase uijnte
e trynta e quarẽeta anos se mester ffose e se caese que a farya per esta guyssa
como dito he das quaes cousas o dito ffrey Steuã pydiu a mjn Tabeliõ hu
t(estemunh)o Eu deylho. ffeito no dito logo. Ts. Gonçalo moreyra Martin anes
das couas Martin Anes Johã uycente procuradores Afonso martins (sic) Domjngos
Morãao e outros. Eu dito Tabeliã a esto ffuy este testemujnho screuy e aqui meu
signal pugy que tal + e».
(14)
AHPL, Ms. 583, fól. 281 – Inédito
(15)
Fr. Manuel de Maria Santísisma. Historia da fundaçaõ do Real Convento e
Seminario de Varatojo, com a compendiosa noticia da vida do veneravel Padre Fr.
Antonio das Chagas, e de alguns varoens illustres filhos do mesmo convento, e
seminario ...", Tomo II, Porto : Ofician de António Álvares Ribeiro, 1800,
págs. 627-628
TT : Torre do Tombo
AHPL : Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa
CEL : Câmara Eclesiástica de Lisboa
CHR : Chancelaria Régia
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